Quebrando a programação do mês (que era sobre Polecilídeos), hoje venho escrever sobre os aquários brasileiros que recebem visitantes como forma de entretenimento, isso a partir da provocação de um e-mail enviado pelos leitores. Trata-se de aquários de grande porte que, ao estarmos diante deles, literalmente nos transportam deste mundo humano que estamos para o mundo submerso, e num piscar de olhos nos fazem parte dele, dando-nos ainda mais a sensação de proximidade com nossos queridos amigos aquáticos.
Achei o assunto tão bom que corri para me aprofundar. Isso porque acredito muito no aquarismo como fonte de preservação, já que os ambientes aquáticos são devastados a passos largos e pouco se faz (em termos de efetividade) para ajudá-los, especialmente quando nos referimos a peixes de extremo endemismo, tal qual alguns rivulídeos (killifishes ou peixes-da-chuva), os quais muitas vezes existem apenas em umas dezenas de poças em determinada região. Claro que para o aquarismo funcionar nesse sentido, é preciso certa dose de especialização, o que já existe entre entusiastas do hobby, e regramento, com atuações profissionais, como veremos aqui hoje, nos aquários de visitação.
Sorte a minha que tenho um grande amigo, formado na mesma turma de Oceanologia, que atua justamente nessa área e me deu os rumos de como abordar o assunto. O nome dele é Henrique Luís de Almeida – ligado à Terramare / Aquário de Ubatuba e Diretor de Comunicação da AZAB (Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil), a quem devo os mais profundos agradecimentos. Abraço meu querido!
Comecemos com uma contextualização…
Entendendo os grandes aquários para visitação
Em que nicho se encaixa um aquário de visitação? De forma bem didática, acredito que podemos fazer uma analogia, comparando um aquário de visitação pública a um zoológico.
De acordo com a Instrução Normativa IBAMA nº 07, de 30 de abril de 2015, em seu Art. 3º, inciso X, um jardim zoológico é um “empreendimento de pessoa jurídica, constituído de coleção de animais silvestres mantidos vivos em cativeiro ou em semiliberdade e expostos à visitação pública, para atender a finalidades científicas, conservacionistas, educativas e socioculturais.”. Dito isso, facilmente observamos, no somatório dos propósitos de tais aquários, os aspectos de Conservação Ambiental, Educação Ambiental, Pesquisa, Lazer e Desenvolvimento Econômico, o que nos faz imediatamente entender essa correlação. Assim, você pode chamar esses aquários de “zoológico aquático”, se quiser.
Neste bojo, podemos categorizá-los como: Aquários em Parques (ex: Parque da Lage – Rio de Janeiro/RJ e Parque da Luz – São Paulo/SP), Aquários em Zoológicos (ex: Bacia do Rio São Francisco – Belo Horizonte/MG e Zoológico de Bauru – Bauru/SP), Aquários em Museus (ex: Museu Oceanográfico USP – São Paulo/SP e Museu Oceanográfico Almirante Paulo Moreira Arraial do Cabo/RJ), Aquários independentes (ex: Aquário de Ubatuba – Ubatuba/SP e Aquário de Santos – Santos/SP), Aquários em Centros de Visitantes (ex: Projeto TAMAR), entre os mais significativos.
Panorama dos aquários no Brasil
A partir do material cedido, muitas explicações e uma palestra de 2016, tento traçar um panorama geral – mesmo remontando há quase 10 anos, o conteúdo nos serve de visualização, pois o objetivo não é ser preciso nos números e sim abordar os conceitos e tendências.
À época, somavam-se 43 aquários de visitação – considerando pequenos aquários municipais, zoológicos e museus com aquários, bases do projeto Tamar, empreendimentos particulares e governamentais – o que hoje em dia deve estar em torno de 50 (não houve oportunidade para atualizar os números e localizações exatos para 2025, mas a previsão foi feita com ajuda técnica do Henrique). Podemos ver no mapa que a grande concentração está na região Sudeste – achei a figura interessante para visualizarmos a concentração e a carência desse tipo de entretenimento conforme as regiões brasileiras.

Quando me refiro a não me importar com os números exatos para este contexto aqui, é porque prefiro ressaltar que melhor do que ter “muitos” aquário de visitação no Brasil é mais interessante ter “bons” aquários. Isso porque um dos desafios para esse ramo é que a alta quantidade pode vir a representar a “desorganização do setor e a baixa qualidade técnica”, pontos que podem macular a opinião pública sobre os aquários.
Bons aquários são os que mantém em voga o bem-estar dos animais acima de tudo, a constante cooperação entre os empreendimentos e, claro, a sustentabilidade (nas dimensões Econômica, Social, Cultural e Ecológica). Assim, o desafio mesmo fica na padronização de qualidade, pois uma vez que um estabelecimento deixa de prover aos organismos nos aquários o bem-estar e a qualidade de vida, deixa de responder aos princípios que o norteiam. Existe tendência de crescimento, mas não será uma explosão repentina, e espero que os que vierem a surgir se unam nos bastidores aos já existentes para criar um trabalho sólido e profícuo.
São investimentos altíssimos e de manutenção muito custosa, o que explica a necessidade de serem cobrados preços nem sempre populares, mas quem tem um aqua em casa sabe o quão gratificante é observar os seres subaquáticos.
E por falar em preços, vamos dar um sobrevoo nos valores de visitação de tais aquários.
Quero ir!
Vamos nessa! Caso queira começar conhecendo os grandões, listo aqui os maiores do Brasil (elencados pela área do empreendimento):
4º lugar – Aquário de SP: fica no bairro do Ipiranga em SP, é um aqua 100% privado, conta com 15 mil m2 e 4 milhões de litros de água, 4 mil+ animais, segundo os organizadores. O acesso custa R$150 por pessoa adulta, mas há outros preços que podem ser vistos na página deles. Para mais informações e compra de ingressos clique aqui.

Imagem do site: https://aquariodesp.com.br/
3º lugar – Bioparque Pantanal: é um empreendimento público estadual, localizado em Campo Grande – MS, conta com 21 mil m2 e 5 milhões de litros de água, 453 espécies de animais, sendo considerado o maior aquário de água doce do mundo, segundo os organizadores. E o melhor, o acesso é gratuito, bastando acessar o site deles e agendar a visita.

Imagem do site: https://bioparquepantanal.ms.gov.br/
2º lugar – AquaFoz: recém-inaugurado, está localizado em Foz do Iguaçu-PR, é 100% privado, conta com 23 mil m2 e 3,3 milhões de litros de água, tem 300+ espécies, segundo os organizadores. O acesso custa R$120 por pessoa, com outras opções de meia entrada, infantil etc. Pertence ao mesmo grupo do AquaRio. Para mais informações e compra de ingressos clique aqui.

Imagem do site: https://aquafoz.com.br/
1º lugar – AquaRio: 100% privado, conta com 26 mil m2 e 4,5 milhões de litros de água, 10 mil+ animais, entre 350 espécies, sendo o maior da América do Sul, segundo os organizadores. O acesso custa R$160 por pessoa e na Black Friday está por R$99,00. Para mais informações e compra de ingressos clique aqui.

Imagem do site: https://www.aquariomarinhodorio.com.br/
Não falando de porte, mas sim da grande relevância, podemos ainda considerar:
Aquário de Ubatuba – SP: onde trabalha meu amigo Henrique (vai lá conhecer ele!), trata-se do primeiro aquário privado do país, tem quase 30 anos. Além de ser um Centro de Pesquisa, a equipe de lá contribui para o desenvolvimento de Aquários em outros pontos do país. No site não achei sobre o tamanho exato, mas é de porte médio, abrigando cerca de 410 animais, em 110 espécies diferentes. O ingresso custa R$ 60, mas existem opções mais baratas e otimizadas, como pacote família e, olha que legal: “aniversariante do dia não paga!”. Veja mais clicando aqui.

Imagem do Site: https://aquariodeubatuba.com.br/
Aquário de Santos – SP: segundo o Instagram do empreendimento (@uea.aquario) o Aquário se encontra fechado, devido a intervenções e obras de revitalização, tendo começado em junho deste ano, com previsão de 8 meses para a conclusão.
Aquário do Guarujá – SP: denominado Acqua Mundo, é um empreendimento privado de porte médio, com quase 1,5 milhões de litros de água e totalizando uma área aproximada de 5700m². O ingresso custa R$ 60, mas existem opções mais em conta. Veja mais clicando aqui.

Imagem do Site: https://acquamundo.com.br/novo/
Bem, existem outros, mas não dá para falar de todos. Tentei trazer uma oportunidade de você encontrar em suas próximas férias um local de entretenimento, sensibilização pela questão ambiental e conhecimento. Espero ao menos ter causado uma vontadezinha de pesquisar mais ou, quem sabe visitá-los! Eu fiquei com vontade de fazer um tour nesses aquários, tem tanta coisa para conhecer e viver que fico aqui pensando quando farei isso.
Enquanto planejo aqui minhas visitas, despeço-me agradecendo a leitura! Até o próximo artigo, que sai já já!

Com Bravo de Bravura, e não de Braveza, Johnny Bravo (João Luís), escreve para revistas especializadas e para o blog da Sarlo há um cadim de tempo. Nessa jornada Julioverniana, após 20 Mil Léguas de textos, agora ele também desenvolve os roteiros para os vídeos de chamada do Sarlocast, onde você pode ouvir a sensual voz desse aquaman (tradução: homem de aquários).







