Para fechar nossa jornada pela família Osphronemidae, mergulhamos hoje no universo dos Tricogasters. Embora a ciência tenha atualizado seus nomes oficiais, o mercado ainda preserva o termo clássico que todos conhecemos. Nas prateleiras e conversas ao redor do mundo, você também os encontrará sob a alcunha de Gourami. Por isso, não se espante se encontrar essa variação em livros ou sites mundo afora; estamos falando dos mesmos personagens.

Tricogasters são nativos das águas quentes e calmas do Sudeste Asiático e conquistaram os aquários do planeta há muito, por suas cores, comportamentos sociais e resiliência. Eles são verdadeiras jóias vivas, dignas de atenção.

Sem mais demoras, vamos descobrir os segredos e as variedades que tornam esse grupo tão especial para o hobby.

 

Características Gerais

É claro que cada espécie tem sua particularidade, mas há um conjunto de informações que podemos atribuir a todos os tricogasters, adequando conforme o caso. Eu resumiria nas seguintes:

  • Não devem ser postos em aquas pequenos, inferiores a 100 litros (80+ cm);
  • Possuem dieta onívora, aceitando facilmente alimentos industrializados e vivos;
  • Peixes resistentes e ótimos para aquários comunitários;
  • Gostam de ambientes de águas lentas e densa vegetação, com iluminação moderada;
  • Parâmetros: Temperatura entre 23 e 28ºC e faixa de pH entre 6.0 e 7.5; e
  • O ideal é mantê-los em “haréns” (um macho para duas ou três fêmeas), evitando colocar dois machos juntos quando em aquários menores para não haver brigas.

 

As Principais Espécies

Existem quatro espécies presentes nos aquários ao redor do mundo, são elas:

  • Tricogaster Azul (Trichopodus trichopterus): O mais comum. É fácil de reconhecer pelas duas manchas pretas no corpo.
  • Tricogaster Pérola (T. leerii): Considerado o mais bonito, possui um padrão que lembra um mosaico de pérolas e uma “garganta” laranja vibrante nos machos.
  • Tricogaster “Pele de Cobra” (T. pectoralis): O gigante do grupo, chegando aos 20 cm. Por ser maior, exige aquários bem espaçosos.
  • Tricogaster “do Luar” (T. microlepis): Elegante e prateado, com um corpo mais esguio e brilhante.

Esses nomes entre aspas eu achei engraçado, não os conhecia rsrsrs. Ainda existe a espécie, T. poptae, de Bornéu-Indonésia, mas não é bem descrita ou comum no hobby, por isso não foi listada. De qualquer forma, mesmo citando as outras quatro, trago aqui apenas as duas mais populares, o tricogaster azul e, o meu xodó, tricogaster leri.

Tricogaster Azul

Embora seja popularmente conhecido como Tricogaster Azul, se tem uma coisa que não define o nome do bicho é cor; a mesma espécie é encontrada nas variedades amarela, marmorada, prata/platina e na vida selvagem apresenta coloração marrom-amarelada. Chame-o pela variedade de cor com que foi comprada. 😊

Com aproximadamente 15 cm na fase adulta, geralmente é pacífico em aquários comunitários, pode apresentar territorialismo com machos da mesma espécie ou peixes de formato similar. Além disso, é um peixe que sempre requer um olhar mais cuidadoso de seu tutor, visto que por vezes alguns indivíduos tornam-se agressivos “sem motivo aparente” (época reprodutiva, espaço pequeno e outros estresses).

Para identificar machos e fêmeas, saiba que os primeiros possuem a nadadeira dorsal mais longa e pontiaguda, enquanto as fêmeas apresentam o ventre mais roliço; em peixes juvenis é bem complicado ver isso.

 

Tricogaster Leri

Também encontrado com o nome de Tricogaster pérola, por ter seu corpo coberto por pequenos pontos brancos que lembram pérolas, este lindo peixe é extremamente pacífico, chegando a cerca de 12 cm.

Para diferenciar os sexos, saiba que o macho adulto apresenta nadadeira dorsal mais longa e pontiaguda (é comum ocorrer o crescimento de filamentos na nadadeira anal) e, especialmente perto da época reprodutiva, adquire um peito inflamado em cores vermelho-alaranjadas – é aí que você vai entender o porquê de eu achar esse peixe tão maravilhoso! Fêmeas (e juvenis) mantêm o padrão de coloração típico, sendo mais rechonchudas e maiores que seus parceiros.

 

Curiosidades Surpreendentes

  • Os Tricogasters não são apenas “rostinhos bonitos”, eles possuem habilidades biológicas incríveis, tais como seus familiares já vistos aqui no blog:
  • Precisam, obrigatoriamente, respirar ar da superfície.
  • São os machos que constroem o ninho de bolhas e fazem a guarda, similarmente aos seus parentes betas.
  • O “Sexto Sentido nos Dedos”: aqueles fios longos embaixo do peixe são barbatanas pélvicas sensoriais que funcionam como braços e órgãos do paladar, permitindo que o peixe “toque” e “sinta o gosto” do ambiente ao seu redor. Está mais bem explicado no artigo anterior; caso não o tenha lido, clique aqui.
  • Eles “Falam”: durante a alimentação ou disputas de território, é comum ouvir pequenos estalidos ou cliques vindo do aquário. Esses sons são produzidos pela movimentação das mandíbulas ou pela expulsão de ar do órgão labirinto. O uso de sons serve para comunicação de curto alcance, ajudando a estabelecer dominância sem a necessidade de combate físico direto.

Pesquisas sobre comportamento social em peixes tropicais indicam que espécies territoriais, como os Trichopodus, conseguem distinguir entre vizinhos familiares e estranhos (o “efeito do vizinho querido”), o que exige memória visual e reconhecimento de padrões. Neste contexto, não pense que é completamente absurdo achar que ele te reconhece quando você vem alimentá-lo.

 

Dicas para o Aquário Ideal

  • Para que seu Tricogaster viva bem e exiba cores vibrantes, siga estas recomendações:
  • Plantas de Superfície: plantas flutuantes (Alface d’água, Salvinia, Lentilha d’água etc.) são altamente recomendáveis para que eles se sintam seguros e construam seus ninhos, bem como para ajudar a diminuir a intensidade luminosa.
  • Hardscape: troncos e raízes que criem zonas de sombra e refúgio para eles, sobretudo para as fêmeas caso o macho esteja muito persistente
  • Água Calma: eles detestam correntes fortes. O fluxo do filtro e da bomba submersa deve ser moderado.
  • Tamanho do Aquário: recomenda-se um volume mínimo de 100 litros para um pequeno (3-4 indivíduos) grupo.
  • Companheiros: além de superlotação, evite peixes agitados ou que mordam barbatanas (como o Barbo Sumatra ou Mato-Grosso). Bons vizinhos são as Coridoras, Cascudos e Pequenos Tetras não mordiscadores.

Observe que destaquei algumas características de bem-estar que até foram mencionadas anteriormente, mas que preferi reforçar porque acredito serem caminhos que ajudem a não termos experiências ruins mediante o aumento de estresse no peixe e consequente aumento de agressividade, especialmente com o Azul.

E você, o que achou dos tricogasters? Espero ter trazido alguma colaboração para o seu hobby. Sigamos então na formulação de um aquarismo responsável, sempre pesquisando e questionando.

Obrigado pela leitura, vejo você no próximo artigo, que sai já já!

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