Ser um novato não é um defeito, nem algo ruim, todos começam nesse patamar um dia, mas sabemos que na maioria das vezes, por falta de conhecimento e experiência, eles acabam rumando para caminhos que culminam em frustrações e em maus tratos aos seres vivos de um aquário. Por estar no hobby há muito tempo, gosto de produzir conteúdo remetendo a inúmeros temas, dentre eles os de evitar ou minimizar desgostos.

Foi assim que pensei em colocar num patamar os 5 Maiores Erros que um iniciante costuma cometer e como evitá-los. Assim, bora ver o que tem pra hoje, começando do erro menos crítico por si só e aumentar o peso, rumo ao número 1.

#5 – Excesso de Alimentação

Este é um vacilo típico daquele que nunca teve contato com o aquarismo ou está começando agora. O iniciante tende a associar comida com cuidado, ou seja, quanto mais alimenta seus peixes (camarões etc.), mais acha que está “fazendo o bem”. O problema é que o sistema possui um limite, não consumindo imediatamente tudo aquilo que nele é inserido.

“E o que tem de ruim em dar bastante comida?”, você pode estar se perguntando. Diferentemente dos humanos, os peixes não têm onde guardar a comida que sobrou do almoço e isso gera transtorno. Quimicamente falando, o excedente é uma sobrecarga de matéria orgânica, o que, na decomposição, gerará mais volume de um composto tóxico chamado amônia. Praticamente falando, muita comida é igual a mais sobras, mais fezes e, consequentemente, mais matéria orgânica em decomposição, resultando na queda da qualidade da água e na ameaça à vida dos organismos.

O ideal é irmos, aos poucos, observando como os seres em nossos aquários atuam. Para isso, começamos dando bem pouquinha ração e observando em quanto tempo ela é comida. O certo é que tudo seja devorado em até 1 minuto (máximo 2 minutos). É uma medida que aprendemos com a prática, de acordo com a voracidade dos nossos peixes.

#4 – Oscilações Bruscas de Parâmetros (temperatura, pH etc.)

Quando adquirimos um aquário e levamos não só ele, mas aquela porção de equipamentos e testes de água, recomendados pelo lojista ou pelos especialistas, cujos textos andamos lendo, ficamos de butuca ali, olhando cada coisa para fazer a coisa certa e ter o prazer de ver os peixinhos se desenvolverem bem. Às vezes até rola uma tensão, tamanha a atenção que dedicamos.

Mas certo dia, num teste rotineiro, vemos um pH ácido ou alcalino demais. Assustamos, corremos na gaveta e pegamos aquele corretor de pH e seguimos as instruções. Dos (hipotéticos) 4,8 corrigimos o pH imediatamente para os desejados 7,0. Um salto gigantesco, considerando que cada ponto de pH (ex: de 6,0 para 7,0) é referente a uma concentração 10x (dez vezes) diferente. Oscilações de pH não necessariamente são problemáticas, mas os choques (mudanças elevadas e bruscas) são.

Isso vale para outros parâmetros, como a temperatura. Supondo que uma água de aquário, cuidadosamente mantida em 25ºC, recebe água nova da torneira, medindo 20 ºC, temos aí um “choque térmico”, capaz de adoecer ou mesmo matar peixes mais sensíveis ou já debilitados.

Esses exemplos representam choques nos sistemas dos organismos, que influenciam na regulação corpórea de elementos (osmose e fisiologia), atingindo a imunidade. Tentando corrigir um parâmetro, o aquarista pode, caso não observe com cautela, desencadear uma série de choques – imagine se ele, no desespero, usar a água da torneira diretamente, sem retirar o cloro antes? Mais um sério problema associado, pois o cloro é danoso para a mucosa dos peixes, as brânquias e colônias benéficas de bactérias.

O que fazer? Respirar primeiro. Pensar, estudar a situação e agir conforme. Se algum parâmetro varia demais ou se recusa a mudar é porque deve haver um problema maior por trás: uma rocha quimicamente atuante, um aparelho com defeito etc. A dica aqui é não desesperar.

# 3 – Superlotação

Este é um descuido muito comum de ocorrer, porque nós, apaixonados, tendemos a não ter limites para comprar peixinhos para o aquário. Só que, ter muitos peixes, além da capacidade do aquário, é um problema e tanto.
Perder-se no desejo de ver o aquário cheio e colorido pode, facilmente, repercutir num outro problema: incompatibilidade de peixes. A incompatibilidade pode se dar em vários aspectos, como peixes: 1) agressivos vs. peixes pacíficos, 2) de diferentes pHs; 3) de dietas completamente diferentes, 4) grandes vs. pequenos; entre as principais incompatibilidades. O estresse advindo daqui atua diretamente na imunidade ou na integridade física do animal, seja por meio de perseguições, brigas, deficiência na alimentação, respiração e desempenho dos filtros.

Sim, desempenho dos filtros, pois o grande número de peixes no aquário normalmente não tem como parceiro o correto dimensionamento do poder de filtragem; com isso voltamos à questão da matéria orgânica. Mais peixes equivale à maior excreção de dejetos (que resultam em amônia) e maior consumo de oxigênio – as bactérias benéficas não acompanham o tamanho da carga orgânica e a circulação de água não fornece o oxigênio necessário, causando uma perigosa instabilidade geral.

Se você estiver seguro quanto à compatibilidade dos peixes que quer misturar e o alto desempenho do seu filtro, volte-se para a quantidade de indivíduos. Há uma fórmula popularmente usada para nortear a quantidade de peixes no seu aquário: 1 cm de peixe adulto (compatível) para cada litro de água no sistema. Para tal, siga esses dois passos: 1) calcule o volume real (VR) do seu aquário (apenas a água disponível, desconsiderando o volume ocupado por substrato e decorações); 2) procure informações sobre o tamanho máximo (peixe adulto) dos peixes que você quer ter. Exemplo: aquário de VR 40 litros pode conter 40 cm de peixe (tamanho adulto), isso dá 6 neons (tamanho máx: 4cm: 6×4 = 24), 2 corydoras (tamanho [média] máx: 5cm; 2×5 = 10), 1 casal de Apistogramma borellii (tamanho máx: macho 5cm e fêmea 4; 5+4 = 9). O valor total de peixes aqui daria 43 cm. É maior, certamente, mas não absurdamente, dando-me uma noção de população condizente com o volume, não o valor exato e engessado – até porque esse não é o intuito, pois a fórmula é norteadora.

Nesse sentido, cabe ressaltar que peixes de porte maior, como Kinguios ou Acarás-Bandeira acabam ocupando categorias acima, pesando mais na fórmula, e muitas vezes falamos de 2 cm por litro, para peixes assim.

#2 – Manutenção: Descuido com a Mídia Biológica

Aqui o aquarista deve agir como o mais responsável e preparado dos cirurgiões de coração toda vez que for ao filtro fazer uma manutenção. Já adianto que não existe uma periodicidade fixa universal para essa manutenção, mas se você estiver dentro da fórmula de população, dando comida sem exageros, certamente uma manutenção quinzenal já é suficiente. A demanda de manutenção estará sempre associada à carga biológica diante da capacidade de desempenho do filtro.

A manutenção é feita retirando parte da água do aquário (cerca de 20% do volume) e restituindo-a na mesma proporção – cuidar para não incorrer num dos erros elencados aqui, reportado no “#4 – Oscilações Bruscas de Parâmetros”; a água que entra já deve possuir os parâmetros ideais pretendidos.

A parte da filtragem mecânica (mídia: perlon, esponja etc.) é lavada normalmente, com água limpa. Agora, a parte da filtragem biológica (mídia: cerâmica, bioballs etc.), essa, sim, deve receber muita atenção. Nós a retiramos e a observamos, se não tiver muita sujeira, pode até ser deixada como está, aguardando a próxima manutenção. Se tiver um pouquinho de sujeira, limpamos a mídia com a água retirada do aquário; ao invés de descartar os 20% nós reservamos essa água e com ela limpamos a mídia.

Por que? É na mídia biológica que estão as bactérias nitrificantes e o cloro da água da torneira pode causar um enorme estrago na colônia. Assim, nada melhor do que lavar o mais importante órgão do aquário com uma água de mesma temperatura, pH e sem cloro. Ainda sobre a mídia biológica, caso observemos que ela está muito suja, há duas possibilidades: ou a mídia de filtragem mecânica não está sendo eficiente ou o tempo de manutenção está muito longo; o ideal é não deixar acumular sujeira na mídia biológica.

Enfim, o alerta aqui é deixar claro que comprometer a mídia biológica é como desligar o sistema de segurança, credibilidade e saúde do aquário.

 

#1 – Não Respeitar a Ciclagem

O erro fatal nº 1: colocar os peixes antes que a colônia de bactérias nitrificantes esteja estabelecida resulta em picos de amônia (NH3) e nitrito (NO2), que queimam as brânquias (por onde respiram) e matam os animais rapidamente. Esse é o fim trágico ao desrespeito do ciclo do nitrogênio.

O artigo anterior foi inteiro sobre esse tema, vale a pena conferir aqui – está bem explicadinho e fácil de entender. Em suma, geralmente leva semanas (frequentemente 15 a 30 dias, mas podendo variar), dependendo de como evoluir a maturação desse ambiente, o aquário ainda não é um ecossistema funcionando, é apenas um local cuja água oferece grande perigo aos habitantes. Você saberá quando os valores dos testes de amônia se mantiverem em zero.
Assim, nada de colocar peixes no dia que comprou o aquário!

Olhando os tópicos, podemos facilmente perceber que mais de um deles tem relação, direta ou indireta, com a questão do ciclo do nitrogênio. Embora possa parecer redundância elencar os pontos assim, para um iniciante, entendo que, como o contexto ainda não está estruturalmente conectado, é interessante reforçar por diferentes caminhos um mesmo princípio fundamental.

E assim me despeço, agradecendo a leitura e dizendo que já já chega o próximo! Até lá!

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