Nem sempre me fixo apenas em peixes raros ou inusitados, gosto de ir e vir no que há de mais popular e ver o que há de interessante para pesquisar – sempre tem 😊. Nessa senda, decidi pegar o mês de novembro para falar de peixes que todo mundo conhece e, para hoje, temos o Peixinho Espada (Xiphophorus hellerii)…vamos conhecê-lo um pouquinho mais a fundo. Ou será que você já o conhece por completo?
Sobre o nome do peixinho
Em inglês o nome é “swordtail fish”, cuja tradução seria algo tipo “peixe cauda de espada”, o que não nos causa nenhum espanto, porque é bem evidente o porquê. Vi no Fishbase.org que mesmo no nome científico – Xiphophorus hellerii – a etimologia carrega o significado de aquele “que traz (carrega) uma espada” (no grego Xiphos é espada e phorus [derivado de pherein] é trazer/carregar; deu certo no Google Tradutor!). A segunda parte do nome, como é comum ocorrer, é em homenagem a um antigo pesquisador, Karl Heller.

Pode ser que você já saiba, mas não custa explicar, ele não é o único peixinho espada de aquário. Dentro do gênero Xiphophorus, temos – segundo Fishbase.org – 28 nomenclaturas validadas, dentre as quais temos também alguns Platys; mas este peixinho é assunto do próximo artigo. Em termos de peixe espada, são 14 espécies (selecionei eles a partir do nome comum “swordtail”), que podemos ver a seguir:
- Xiphophorus alvarezi
- Xiphophorus birchmanni
- Xiphophorus clemenciae
- Xiphophorus cortezi
- Xiphophorus helleri
- Xiphophorus malinche
- Xiphophorus meyeri
- Xiphophorus mixei
- Xiphophorus montezumae
- Xiphophorus monticolus
- Xiphophorus multilineatus
- Xiphophorus nezahualcoyotl
- Xiphophorus nigrensis
- Xiphophorus pygmaeus
Mesmo pegando uma espécie apenas, além da presença da espada na cauda, é difícil definir um espadinha, pois a partir das seleções de pareamento e mesmo genéticas, hoje em dia temos infindáveis variedades: sangue, black, albino, lira, verde (selvagem), dominó, tuxedo, showa, marigold, mármore, kohaku, tricolor e sei lá quantas mais; essas encontradas apenas numa simples busca na internet dentre o que há de disponível para compra. Cada qual com aspectos completamente diferentes.
Informações importantes sobre o espadinha
Ele não pertence ao nosso país, sua origem é América do Norte e Central. Mesmo que você já o tenha visto em algum lago ou córrego, é importante comentar que este aparentemente inofensivo peixinho é reportado como espécie invasora em todos os continentes, tratado como “potencial peste” e responsável por danos ambientais às espécies nativas dos ambientes que invadem.
São oriundos de águas de correnteza rápida, com abundante vegetação, onde se alimentam de vermes, crustáceos, insetos (bons para controle de mosquitos em laguinhos) e vegetais. Um aquário apto a recebê-los deve ter áreas de livre nado, mas também locais de vegetação densa, onde possa se esconder.
Embora o tamanho mais comum seja em torno dos 12 cm, é registrado que podem chegar a 16 cm, sendo as fêmeas maiores. A expectativa de vida está entre 3 e 5 anos. A faixa de pH é de 7.0 a 8.0, ou seja, ligeiramente alcalina. A temperatura deve estar entre 22 e 28°C.
Em aquários, os machos são agressivos entre si, especialmente na disputa reprodutiva (acontece sempre que há fêmeas disponíveis). Por causa disso e por causa do estilo muito ativo, os aquaristas recomendam um tamanho mínimo de aquário: 80 cm. Outra observação sobre essa hiperatividade: podem vir a mordiscar nadadeiras de peixes lentos ou véu.
Reprodução
Taí uma coisa fácil. Como todos os Poecilídeos, estes peixes possuem grande facilidade em reproduzir-se. Para tal, basta manter uma proporção de 1 macho para cada 3 fêmeas – como a procura é incessante, poucas fêmeas podem sofrer com estresse demasiado.
Caso você ainda não saiba como identificar a diferença entre os sexos, peço observar a figura que fiz para diferenciá-los. Os machos, além da proeminente espada, possuem o gonopódio (a nadadeira anal modificada, comum em toda família Poeciliidae).

A fêmea, que não deposita ovos, mas sim libera os filhotinhos gestados em sua barriguinha por cerda de 1 mês, produz de 20 a 200 filhotes (dependendo do tamanho da fêmea). Lembro que se a ideia é fazer os filhotes sobreviverem, então, pais e filhotes não devem ocupar o mesmo espaço, pois haverá predação. Pais não cuidam dos filhotes.
Há uma curiosidade nesta espécie: há tendência a sofrer reversão sexual. O que é isso? É quando um peixe muda de um sexo, sendo mais comumente de fêmeas para macho. Me refiro aqui a questão natural e não a referente à aplicação de esteroides e hormônios de crescimento em alevinos, que ainda não definiram as gônadas – algo comum em salmonídeos, ciprinídeos e ciclídeos para consumo humano, mas também na aquariofilia, em ciprinídeos, ciclídeos e poecilídeos. Não falo tampouco de achismos, mas sim de documentações científicas antigas e novas (Essenberg, J.M., 1923 e Ortega-Salas, A.A., 2013) que reportam a presença de espermatozoides maduros, desintegração de ovários e mesmo a transformação da nadadeira anal em gonópodio. Ou seja, mudança completa, morfológica e fisiológica.
E é por isso que digo que sempre que a gente adentra o estudo sobre qualquer coisa no aquarismo, seja o mais simples dos peixinhos, vai achar algo de novo e cativante. Bem, eu não me canso de aprender.
Espero que este artigo tenha trazido algum conhecimento ou entretenimento, fazendo você procurar por mais maravilhas no aquarismo. Aqui me despeço agradecendo a leitura e lembrando que já já tem artigo novo aqui. Até lá!

Com Bravo de Bravura, e não de Braveza, Johnny Bravo (João Luís), escreve para revistas especializadas e para o blog da Sarlo há um cadim de tempo. Nessa jornada Julioverniana, após 20 Mil Léguas de textos, agora ele também desenvolve os roteiros para os vídeos de chamada do Sarlocast, onde você pode ouvir a sensual voz desse aquaman (tradução: homem de aquários).







