Ok, já sabemos que os aquários de visitação são magníficas obras da engenharia, englobando múltiplas atividades e facetas, para prover uma imagem maravilhosa para quem os visita, além de se referendarem como polos de pesquisa. Nesse cenário, é desafiador pensar em como eles mantêm tudo em dia.
Eis que trago aqui no tema de hoje um olhar sobre os esforços que os aquários de visitação dispendem para manterem-se funcionando, sempre belos e vistosos. Acredito que você já deva imaginar que isso deva significar uma dinâmica maior do que carregar alguns baldes de água, passar algum tempo fazendo podas e lavando filtros, mas quanto mais? Que dimensões isso chega? É caro? Eles fazem TPAs semanais? É o que pretendo responder aqui.
Então, bora ver o que pra hoje!

O “cara” da manutenção
Como citado em artigos meus aqui do blog, a manutenção de grandes aquários de visitação envolve engenharia complexa, que vai muito além do que praticamos no aquarismo doméstico. Nesse contexto, estamos falando de ati
vidades ininterruptas e demasiadamente técnicas, divididas entre a manutenção visível e os sistemas, digamos assim, “invisíveis”.
E quem faz isso no braço? Não há como ser uma só pessoa tampouco uma só pessoa para cada função. A demanda exige dezenas de profissionais para cada tarefa.
Estamos falando, na verdade, de equipes multidisciplinares, amplas e altamente especializadas, incluindo: biólogos, veterinários, técnicos em qualidade da água, engenheiros de sistemas hidráulicos, softwares e automação, mergulhadores profissionais e tratadores de animais – entre outras especialidades essenciais para a operação.
Além da limpeza e da operação técnica, essas equipes monitoram comportamento, alimentação e saúde dos animais.
Dinâmica e Métodos de Limpeza
Dimensões impressionantes, em termos de recintos, tipos e quantidades de seres vivos certamente exigirão muito de quem coordena a manutenção de um aquário desses. A primeira coisa a ser considerada, a meu ver, é pensar que não é tudo uma coisa só, ou seja, não se deve planejar uma única forma de classificação ou atuação para um empreendimento tão diverso.
Para quem costuma a ler meus textos, vê que sempre que surge uma oportunidade eu oriento a misturar peixes de dieta similar, comportamento similar e por aí vai. Numa dimensão como a que tratamos aqui, há que haver, ao menos, protocolos por espécie. Sim, pois o tipo e a frequência da limpeza variam. Recintos de animais com metabolismo alto ou que geram muitos resíduos, como tubarões ou mamíferos marinhos, por exemplo, exigem intervenções diárias. Ou seja, nossas TPAs de aquas caseiros de 15-20% não se aplicam num cenário assim.
Também não dá para usar os raspadores magnéticos e sifões daqueles que se puxa com a boca. Nos tanques de milhares de litros, a limpeza dos painéis acrílicos e do substrato é feita por mergulhadores profissionais. Eles utilizam escovas gigantes e sistemas de sifonagem de alta vazão para remover detritos do fundo.

Nesse sentido da limpeza braçal, vale a pena frisar o papel relevante na manutenção dos aquários, por mais tecnológicos que sejam. Algas de diversas espécies e aparências crescem sobre os elementos cenográficos, acrílicos, rochas etc. e carecem da limpeza física. Mesmo sob o controle biológico (uso de peixes herbívoros), a manipulação da iluminação, a eficiência dos filtros de areia e carvão, lâmpadas UV e aplicação de ozônio (e por vezes a utilização de produtos para o tratamento), a proliferação ocorre e pode dar outros aspectos visuais ao aquário.
Essa aparência das algas eu resolvi acentuar porque, mesmo nós aquaristas sabendo que são importantes, a maioria das pessoas não as entende e simplesmente “acha feio”. O reflexo disso seria o aumento das críticas e, consequentemente, redução do fluxo de visitantes, cujos ingressos garantem os recursos para a manutenção do local. Foi algo que achei interessante no contraste entre tecnologia e trabalho braçal, pois a intervenção de profissionais lá dentro do aqua é indispensável.
Custos de manutenção
Passamos por uma visão macro do que acontece e como se faz, o que já nos pode dar a impressão de que os custos são altos. Claro que ainda poderíamos pensar que temos diversos outros tipos de empregados e necessidade de insumos (químicos, sal marinho, antibióticos etc.). Sem falar nos modernos sistemas de automação que permitem o monitoramento em tempo real de bombas e parâmetros químicos ou mesmo a geração de ordens de serviço automáticas para manutenção preventiva.
E então, quanto custa para manter esses gigantes? Não foi fácil achar os valores gastos para manutenção de todos os grandes aquários. Os empresários nem sempre deixam esses valores abertos ao público, outros, porém, colocam em seus sites boletins anuais discriminando tudinho. É o caso do Georgia Aquarium (Atlanta, Georgia, USA), cujo custo operacional total em 2024 foi de US$ 119.280.314, ou do National Aquarium, Inc. (Baltimore, Maryland, USA), com o gasto total chegando a US$ 57.278.688. Somas absurdas, não? Também achei.
Aqui no Brasil é geometricamente mais modesto. No Bioparque Pantanal (Campo Grande, Brasil), o custo mensal estimado para manter o empreendimento funcionando em 2023 foi de R$ 1,2 milhão (R$ 13 a R$ 14 milhões por ano) – fonte: https://oestadoonline.com.br/.
Com base nos dados analisados, os maiores custos distribuem-se da seguinte forma:
- Pessoal (aprox. 40%): normalmente o maior custo, que contrata profissionais de nível superior, técnicos especializados e de serviços gerais em vários níveis.
- Energia (aprox. 25%): não tinha como ser diferente, considerando a ação contínua dos sistemas de filtragem, iluminação, bombas de grande porte, controle térmico (aquecimento/resfriamento) e por aí vai.
- Manutenção (aprox. 12%): reparos estruturais, sistemas hidráulicos e eletrônicos, limpeza dos recintos, bombas – realmente há muito com o que se preocupar.
- Insumos (aprox. 10%): alimentação dos animais, suplementos, testes químicos, lâmpadas.
- Tratamento de água (aprox. 8%): sal marinho sintético (quando aplicável), produtos químicos, mídia filtrante.
- Limpeza (aprox. 5%): equipamentos, materiais e serviços gerais.

Pois é, olhando essas coisas fica até mais animador fazer uma TPAzinha semanal, passar um limpador magnético no vidro e uma sifonadinha básica, não é mesmo? Rsrsrs E certamente é mais barato ter um aquário em casa!
Achei interessante trazer essa visão para que quando pensarmos em dar uma moral para um aquário de visitação pública, ao vermos os valores dos ingressos, possamos pensar em como é caro manter. Eu sou a favor de que eles existem e sugiro visitar quantos puder.
No mais, agradeço a leitura e me despeço de você dizendo que já já temos outro aqui! Até lá!

Com Bravo de Bravura, e não de Braveza, Johnny Bravo (João Luís), escreve para revistas especializadas e para o blog da Sarlo há um cadim de tempo. Nessa jornada Julioverniana, após 20 Mil Léguas de textos, agora ele também desenvolve os roteiros para os vídeos de chamada do Sarlocast, onde você pode ouvir a sensual voz desse aquaman (tradução: homem de aquários).







