Neste mês de novembro decidi falar de peixes populares da família Poeciliidae, os parentes do Guppy, sendo que hoje trago o Platy (Xiphophorus maculatus), para ver se encontramos alguma curiosidade ou informação além do padrão. É um pequeno e notável peixe que transcendeu sua origem nas águas da América Central e do Norte (principalmente México e Guatemala) para se tornar uma das espécies mais populares do aquarismo no mundo.

É quase certo que você o conheça. Há, no entanto, quem confunda o Platy com o Espadinha, peixe temático do artigo anterior. Não culpo ninguém, pois são, de certa forma parecidos.

No artigo de hoje vamos explorar mais um pouquinho este colorido peixe ornamental e aprender a diferenciá-lo e, por que não, adorá-lo? Vamos lá!

Curiosidade do nome

O nome popular pode ser escrito tanto “Plati” como “Platy”, mas calma, não é esta a principal curiosidade que trago. No nome científico, embora ele esteja no mesmo gênero do Espadinha, ou seja, Xiphophorus, cuja etimologia da palavra significa justamente “aquele que carrega a espada”, obviamente, vemos que não há espada alguma nesta espécie. Mas a taxonomia eu não posso discutir e pode ser, muito provavelmente, que o precursor dos estudos tenha sido o Espadinha, dando o nome ao gênero; pelas similaridades morfológicas e genéticas, o nome envolveu outros que não possuíssem a tal espada. Assim, grosso modo, o Platy é um espada sem espada!

Agora, a segunda parte do nome científico – maculatus, que significa mácula ou mancha, embora eu tenha encontrado conteúdo na internet inferindo que o nome se deva a alguma marca no abdômen, ouso dizer (e isso é por mim mesmo, sem confirmação científica), que o “maculatus” se deva às manchas encontradas no pedúnculo caudal, bem aparente em espécimes selvagens e mesmo em certas variedades coloridas de aquário.

Sobre as variedades coloridas a que me referi, elas são denominadas Mickey (olha de lado e perceba como as manchas parecem a cabeça do camundongo da Disney), como podemos ver nesta arte que preparei. O que você pensa ou sabe sobre esse detalhe do nome? Por quais manchas foi dado o nome “maculatus” à espécie?

Espécies de Platy

Lembro que o foco do artigo é na espécie X. maculatus, mas do mesmo jeito que fiz para o ensaio para o Espada, para ver quantas espécies existiam, fiz para o Platy. A partir da denominação comum “platyfish” no Fishbase.org, na minha contagem, deram 10 espécies:

  1. Xiphophorus andersi
  2. Xiphophorus continens
  3. Xiphophorus couchianus
  4. Xiphophorus evelynae
  5. Xiphophorus gordoni
  6. Xiphophorus kosszanderi
  7. Xiphophorus maculatus
  8. Xiphophorus milleri
  9. Xiphophorus variatus
  10. Xiphophorus xiphidium

Na boa? Com a exceção dos dois últimos (o X. variatus é até bem conhecido aqui no Brasil), o que achei, vendo as imagens desses “outros platis”, é que eles parecem guppies, molinésias ou espadas diferentes (até porque alguns têm micro espadas na cauda), menos o nosso Plati aqui rsrsrs.

Sua paleta de cores atual não perde em nada para as que existem entre os espadinhas, é possível encontrar Platis em tons intensos de vermelho-rubi, laranja, amarelo, azul, preto, tricolores e salpicados de manchas. Além disso, também é possível encontrar encantadoras variações de nadadeiras. Porém, não nos enganemos com as variedades dentro da espécie que estamos estudando. Há que mencionar que, tal como acontece no espadinha, aqui também temos misturas entre espécies e seleções a partir de pareamentos específicos.

Diferenças e similaridades entre o Platy e o Espadinha

Platis são menores que espadinhas, medindo geralmente entre 4 a 6 cm (fêmeas são maiores) e seus corpos são mais atarracados. Porém, não se trata dos baixinhos invocados, pelo contrário, são mais pacíficos que seus congêneres.

Em seu ambiente natural, o Xiphophorus maculatus habita riachos, canais, valas e pântanos com águas de fluxo lento ou parado e abundante vegetação, preferindo fundos arenosos ou siltosos. Aqui é uma diferença para o espada, em termos de ambiente natural, que talvez tenha atuado na evolução em termos físicos e fisiológicos no Plati.

No espadinha é fácil diferenciar machos e fêmeas, pois eles têm a espada, mas não é um tormento saber a diferença entre sexos no Platy não. Na figura, destaco a diferença nas nadadeiras anais, onde a do macho é afilada, transformada no gonópodio. Em espécimes maturos fica ainda mais fácil, pois fêmeas ficam maiores e mais roliças.

Tal como os espadinhas, são também prolíficos, bastando ter macho e fêmea no aqua (proporção de 1 macho para duas fêmeas, por causa da insistência dos machos essa fórmula ajuda preservar o bem-estar delas).

A maturidade sexual já acontece entre os 3-4 meses de vida. Tal como todos os poecilídeos, são ovovivíparos, ou seja, após a fecundação interna, os ovos são guarnecidos dentro da fêmea até a eclosão (aprox. 1 mês), quando ela libera pequenos alevinos (entre 20 e 100) com saco vitelínico. Caso queira vingar os filhotes, lembre-se que, por não haver cuidado parental, papais e filhinhos devem ser separados.

Em termos de pH as duas espécies são compatíveis (7.0 a 8.0) o que pode diferir é um pouco na temperatura, pois a do Platy varia entre 18 e 28°C – mas sim, são parceiros compatíveis para um mesmo aquário, bastando usar uma temperatura intermediária, tipo 25ºC e deixar bastante espaço para nadar e vegetação para se esconder. Além disso, a dieta é a mesma: vermes, pequenos crustáceos, insetos e matéria vegetal – esta muito importante para os platis.

Este é o sobrevoo sobre o famoso Plati. Despeço-me agradecendo a leitura e já adiantando que no próximo artigo – que já já chega – falarei das molinésias, fechando a mirada sobre os poecilídeos. Até lá! 😊

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