“Neocaridina, o que é isso?” Pode ser que você esteja se perguntando algo assim, mas não há mistério: neocaridina é um tipo de camarão ornamental muito popular no aquarismo de hoje em dia, pois são pequenos, úteis e coloridíssimos.
Há quem os recomende para quaisquer aquaristas, iniciantes ou não, mas eu preferi me valer de mais cautela e falar deles em três artigos, para mostrar como são e que existem cuidados para mantê-los em aquários.
Então, vamos logo correr os olhos pelo texto e ver o que tem pra hoje!
Os camarões do gênero Neocaridina
Os camarões do gênero Neocaridina estão entre os invertebrados ornamentais mais populares do aquarismo de água doce dos dias atuais. Seu sucesso deve-se à ampla variedade de cores disponíveis, ao comportamento pacífico e à relativa facilidade de manutenção quando comparados a outras espécies de camarões. Os adultos costumam atingir entre 2,5 e 3 cm de comprimento e, em condições adequadas de manejo, podem viver cerca de um ano e meio a dois anos.
São animais essencialmente oportunistas na alimentação. Na natureza, passam grande parte do tempo pastando sobre superfícies em busca de biofilme, microalgas, detritos orgânicos e pequenos microrganismos. No aquário, aceitam facilmente rações destinadas a peixes ornamentais, ainda assim prefira as específicas para camarões de boa qualidade, pois já vem prontas para atender as necessidades deles. A dieta pode ser complementada, ocasionalmente, com vegetais como abobrinha, pepino, espinafre e folhas previamente escaldadas, além de alimentos ricos em matéria vegetal. Ainda assim, a regra geral do aquarismo vale para os camarões: evitar excessos, para que o acúmulo de restos alimentares não comprometa a qualidade da água.
Embora permaneçam ativos ao longo de todo o dia, os camarões necessitam de pouca comida. Pequenas porções, oferecidas uma vez ao dia ou em dias alternados, geralmente são suficientes, especialmente em aquários maduros, onde há abundância de biofilme para complementar sua alimentação.
Variedades
Esses pequenos e chamativos camarões conquistaram espaço definitivo no aquarismo moderno graças à combinação de cores vibrantes, comportamento curioso e relativa facilidade de manutenção. São inúmeras variedades como Red Cherry, Blue Dream, Yellow, Orange Sakura, Green Jade ou Black Rose, entre outros, os quais são resultado de anos de seleção genética, mas não se engane: todos pertencem à mesma espécie, chamada Neocaridina davidi.

Eu sempre acho subjetivo demais identificar variedades comerciais de peixes ornamentais, sejam guppies, ciclídeos ou qualquer outro, e o mesmo penso para estes camarões, pois muitas vezes os nomes surgem e se misturam sem muitos critérios. Se eu fosse tentar te ajudar a identificar algum, usaria um diagnóstico visual das características dominantes. Aproveitando os exemplos que destaquei na imagem, eu descreveria o Red Sakura como de vermelho intenso e opaco, diferindo do Red Cherry, que é vermelho translúcido; já o Blue Dream é azul intenso; por fim, o Orange Sakura possui um laranja sólido.
Cuidados essenciais
Apesar de resistentes, os camarões Neocaridina são bastante sensíveis a alterações bruscas na qualidade da água. Assim, a sugestão aqui é que “mais importante do que buscar valores exatos para os parâmetros é manter estabilidade, evitando oscilações repentinas de temperatura, pH ou concentração de compostos nitrogenados”.
Em linhas gerais, desenvolvem-se melhor em águas com pH entre 6,5 e 7,8, temperatura de 20 °C a 26 °C e concentrações de amônia e nitrito sempre iguais a zero. Também apreciam águas com dureza suficiente para permitir a formação adequada do exoesqueleto durante as mudas (ecdise). Esses são os motivos pelos quais GH (cálcio e magnésio para o exoesqueleto) e KH (para manter o pH estável) não devem ser excessivamente baixos.
O aquário ideal deve oferecer abundantes esconderijos, como musgos, plantas, troncos e rochas, que proporcionam segurança, aumentam a disponibilidade de biofilme e favorecem a sobrevivência dos filhotes. A manutenção periódica, com sifonagem leve (sem revolver demais o substrato) e trocas parciais de água, continua sendo indispensável para preservar a estabilidade do ambiente. Durante esses procedimentos, recomenda-se atenção redobrada para evitar a sucção acidental de camarões jovens, que frequentemente permanecem escondidos entre a vegetação ou próximos ao substrato. Por que não proteger a entrada do sifão com alguma redinha de proteção fina?

Um aquário recém-montado normalmente ainda não possui biofilme suficiente para sustentar uma população de camarões. Por isso, recomenda-se introduzi-los apenas após a completa ciclagem do sistema e quando o ambiente já apresentar estabilidade biológica.
Utilidade
Dois destaques os elegem para quase todos os usos no aquarismo:
- São considerados animais pacíficos. Convivem bem com inúmeras espécies de peixes e com outros camarões, inclusive com outros de sua espécie.
- Estão entre as mais desejáveis criaturas de um aquário plantado. De forma geral, além de seu inegável valor ornamental, desempenham um importante papel no equilíbrio do aquário ao consumir restos de alimento, biofilme e algas em estágio inicial, contribuindo para a limpeza do ambiente ao reciclar material sem, contudo, substituírem a manutenção periódica realizada pelo aquarista.
Reprodução
A diferenciação entre machos e fêmeas torna-se mais evidente após a maturidade sexual. As fêmeas costumam apresentar corpo mais robusto, abdômen mais largo e coloração mais intensa, características relacionadas à incubação dos ovos. Os machos, por sua vez, tendem a ser menores, mais esguios e, em muitas variedades, exibem cores menos marcantes.
Em boas condições ambientais, os exemplares atingem a maturidade sexual por volta dos três a quatro meses de idade. Após a fecundação, a fêmea transporta os ovos aderidos às patinhas detrás (os pleópodos), sob o abdômen, durante aproximadamente três a quatro semanas, ventilando-os constantemente para garantir a oxigenação e evitar o desenvolvimento de fungos. Ao final desse período, nascem pequenos camarões completamente formados, semelhantes aos adultos em miniatura, sem passar por fase larval.

Lindos, não? Eu acho demais, porém, o que este artigo não contou para não ser extenso demais é que a convivência de neocaridinas com peixes de aquário sempre desperta uma dúvida recorrente: qualquer peixe pode ser colocado com eles? Embora a resposta mais segura e cautelosa seja uma firme “não”, é importante dizer que a resposta passa por compreender que praticamente todo peixe possui algum instinto predatório, especialmente diante de filhotes recém-nascidos de camarões. Felizmente, diversas espécies de pequeno porte apresentam boca reduzida, temperamento tranquilo e hábitos que minimizam essa predação, permitindo uma convivência bastante harmoniosa.
Pensando nisso, se a intenção é apreciar um aquário comunitário harmonioso, incluindo peixes e camarões, então, precisaremos nos aprofundar. E será justamente essa a abordagem dos 2 próximos artigos deste mês, que buscarão orientar a escolha correta de peixes para misturar com os neocaridinas, citando exemplos de bom convívio.
Agradeço sua leitura, esperando ter trazido mais uma porta de interesse dentro do hobby e alguma informação que lhe sirva. Espero você no próximo artigo, que sai já já, até lá!

Com Bravo de Bravura, e não de Braveza, Johnny Bravo (João Luís), escreve para revistas especializadas e para o blog da Sarlo há um cadim de tempo. Nessa jornada Julioverniana, após 20 Mil Léguas de textos, agora ele também desenvolve os roteiros para os vídeos de chamada do Sarlocast, onde você pode ouvir a sensual voz desse aquaman (tradução: homem de aquários).







