Para um aquarista iniciante ou intermediário, mais do que memorizar o significado de cada parâmetro da água de um aquário, é saber como interpretá-los – separadamente ou em conjunto. Isso traz mais segurança a qualquer ação que precise ser tomada.

Sendo assim, destaquei aqui quatro dos principais parâmetros, a fim de mostrar para que servem e o que nos indicam; são eles: pH, Amônia (Nitrito e Nitrato), KH e GH.

Sem mais delongas, bora ver o que tem pra hoje!

 

pH

O pH é, possivelmente, o parâmetro mais conhecido ou, ao menos, mencionado. Ele indica a concentração de íons de hidrogênio na forma livre (H+) presentes na água, classificando-a em ácida (muitos H+), neutra ou alcalina (poucos H+), numa escala que vai de 0 a 14.

As espécies, por sua vez, vivem dentro de faixas de pH (ex.: 6,0 a 7,5), que se referem ao intervalo ideal para seu bem-estar. O mais importante, no entanto, não é perseguir um número exato e sim manter a estabilidade. Oscilações frequentes de pH costumam ser mais prejudiciais aos peixes do que permanecer ligeiramente acima ou abaixo do valor considerado ideal.

Assim, a principal pergunta para se interpretar um pH é: “ele está adequado às espécies mantidas?” Saber se um pH é 6,8 ou 7,5, como se fosse uma nota de prova escolar, pouco significa isoladamente, o valor não é nem bom, nem ruim. Agora, se o resultado estiver compatível com a faixa ideal dos habitantes do aquário (e sem variações bruscas entre as medições), aí sim podemos classificá-lo como bom.

Alterações repentinas ou rotineiras podem causar estresse, dificuldade respiratória e enfraquecimento do sistema imunológico dos peixes.

Também vale a pena sabermos que pH influencia outras qualidades de parâmetros, como por exemplo, a toxicidade da amônia. Já explico, mas primeiro vamos falar da amônia em si.

Amônia (Nitrito e Nitrato)

Nenhum aquarista escapará desta temática, tendo em vista que ela é vital para o aquário. Falo do ciclo do nitrogênio, onde é justamente aqui que encontramos a amônia, que é o principal resíduo tóxico proveniente das excreções de peixes, restos de alimentos e matéria orgânica em decomposição. Em um aquário saudável, ela é transformada pelas bactérias benéficas, existentes no filtro biológico, não se concentrando na água.

Qualquer detecção de amônia merece atenção. Sua presença indica que a filtragem biológica está insuficiente, sobrecarregada ou ainda em formação. Quanto maior a concentração e o tempo de exposição, maiores os riscos de danos aos peixes.

O nitrito surge durante o processo biológico que transforma a amônia. Embora represente uma etapa natural do ciclo do nitrogênio, ele também é altamente tóxico para os peixes. Sua principal ação nociva é dificultar o transporte de oxigênio pelo sangue, provocando sintomas semelhantes a uma asfixia.

A presença de nitrito geralmente indica que o time de bactérias responsável por transformá-lo em nitrato ainda não está plenamente estabelecido ou foi prejudicado por algum desequilíbrio. Em aquários recém-montados, o nitrito costuma aparecer após a queda da amônia, sinalizando o avanço da ciclagem.

Assim, o objetivo de aquários maduros, tanto para a amônia como para o nitrito, é manter os valores sempre em zero.

Já o nitrato é o produto final do ciclo do nitrogênio, é tal qual um termômetro da maturação, pois está indicando que as etapas da filtragem biológica estão em funcionamento. Diferentemente da amônia e do nitrito, esse composto apresenta toxicidade muito menor e costuma acumular-se gradualmente, mesmo sendo aproveitado por algas e plantas aquáticas. O acúmulo de nitrato é controlado facilmente com a regularidade das TPAs (Trocas Parciais de Água).

Ao interpretar o nitrato, além da indicação do grau de maturação do sistema, podemos entender que valores baixos sugerem que as TPAs, a quantidade de peixes e a filtragem estão adequadas. Já valores elevados podem indicar excesso de população, alimentação exagerada, manutenção insuficiente, entre outros. Embora seja esperado em aquários saudáveis, o nitrato não deve estar presente em altas concentrações, uma vez que dessa forma pode causar estresse crônico aos organismos e favorecer desequilíbrios no sistema.

A menção que fiz no outro tópico, sobre a relação pH e amônia, se deve ao fato de que na maior presença de íons H+ (água ácida) a amônia (fórmula NH3) tende a se ligar mais a eles e se tornar amônio (NH4+), o qual, justamente por ter essa carga positiva, torna-se menos apto a se ligar a tecidos e, consequentemente, tendo menor potencial de causar danos. O amônio é menos tóxico que a amônia não ionizada ou o nitrito, porém, sua interpretação deve seguir as mesmas atenções dispensadas à amônia, ou seja, ele não é desejado nos aquários; até porque a reação contrária (NH4+ para NH3), mediante o aumento de pH, torna tudo muito perigoso.

GH

O GH, ou Dureza Geral, mede a quantidade de íons metálicos dissolvidos na água, principalmente cálcio e magnésio. Esses minerais são importantes para diversos processos biológicos, incluindo o crescimento, a osmorregulação dos peixes e o desenvolvimento de muitos invertebrados. É este parâmetro que nomeia as águas como “mole” ou “dura”. Considera-se água mole aquela com GH baixo (pobre em minerais) e água dura aquela com GH elevado (rica em minerais).

Para situar você um pouco mais nesse contexto, lembro que espécies originárias de rios amazônicos, por exemplo, costumam preferir águas moles, enquanto ciclídeos africanos dos lagos do Rift prosperam em águas duras. Diferentemente da amônia ou do nitrito, não existe um valor universalmente ideal de GH, este dependerá sempre das espécies mantidas.

KH

O KH, ou Dureza Carbonatada, mede a concentração de carbonatos e bicarbonatos dissolvidos na água – os quais se ligam a íons H+. Sua principal função é atuar como um sistema tampão, resistindo às quedas de pH.
Uma boa forma de entender o KH é saber que quanto maior for, maior será também a capacidade da água de resistir à acidificação e quanto menor for o KH, mais facilmente o pH poderá oscilar. O KH é o escudo – a resistência – do seu pH.

Embora sejam parâmetros diferentes, GH e KH frequentemente aparecem associados. Enquanto o GH indica a quantidade de minerais dissolvidos na água, o KH está relacionado à sua capacidade de estabilizar o pH. Por isso, duas águas podem ter o mesmo GH e apresentarem KHs bastante diferentes.

De toda esta conversa, o que manter em mente?

  • amônia e nitrito devem estar zerados no teste;
  • nitrato precisar ficar sob controle;
  • pH estável e compatível com as espécies mantidas; e
  • GH e KH compatíveis com as necessidades das espécies mantidas.

Ao observar os parâmetros da água, é importante lembrar que eles não são valores desprovidos de significado. Na prática, a interpretação dos testes deve ser feita como a leitura de um conjunto de sinais. Amônia e nitrito zerados revelam a eficiência da filtragem biológica, caso contrário temos um ponto crítico a resolver rapidamente; o nitrato indica a maturação do sistema de filtragem biológica, mas seu acúmulo já aponta para a necessidade de manutenção; o pH assegura bem-estar fisiológico aos seres, mas grandes oscilações podem prenunciar problemas de saúde; por fim, GH e KH ajudam a entender a composição mineral na água e sua capacidade de resistir a oscilações de pH.

Por isso, mais importante do que decorar números é compreender o que eles estão contando sobre o aquário. Um sistema estável, biologicamente equilibrado e compatível com as necessidades dos seus habitantes quase sempre será mais saudável do que outro que vive sofrendo intervenções na tentativa de atingir valores considerados perfeitos.

No fim das contas, os parâmetros da água devem ser vistos como ferramentas de diagnóstico. Eles permitem que o aquarista perceba o que os olhos não conseguem ver, antecipando problemas e tomando decisões mais seguras. Quando aprendemos a interpretar esses indicadores em conjunto, deixamos de apenas medir a água e passamos a compreender o funcionamento do aquário como um todo.

 

Bem, espero ter trazido algo capaz de fazer você refletir um pouco e se sentir mais seguro no aquarismo. Obrigado pela leitura! Nos vemos no próximo artigo, que sai já já! Até lá!

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